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1 de dezembro de 2009

Dia Mundial de Luta Contra a Sida

O Dia Mundial de Luta Contra a Sida assinala-se hoje em Portugal com várias iniciativas para lembrar uma doença que, desde 1983, já infectou quase 35 mil pessoas no país e matou cerca de 25 milhões de pessoas em todo o mundo.
Este ano, o lema das comemorações é o "Acesso Universal e Direitos Humanos" e em Portugal o tema em discussão será o Vírus da Imunodeficiência Adquirida (VIH) no local de trabalho.
A Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA vai assinalar a data com a realização da III reunião do Conselho Nacional para a Infecção VIH/sida, na sala do Tratado de Lisboa, no Pavilhão Atlântico. A efeméride será assinalada também pela Liga Portuguesa Contra a Sida (LPCS) com a abertura da sua venda de Natal na Baixa de Lisboa para angariação de fundos e onde será prestada informação sobre o VIH/sida. Está também a decorrer, até ao dia 04 de Dezembro, o peditório nacional da Associação Abraço, com o tema "Um pequeno passo para si, uma grande ajuda para muitos".
A 31 de Dezembro de 2008, Portugal tinha 34 888 casos notificados, segundo o último relatório do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) sobre a situação epidemiológica da infecção VIH/Sida.
O maior número de casos notificados é de utilizadores de drogas por via endovenosa, representando 42,5% de todas as notificações, reflectindo a tendência inicial da epidemia no país.
O número de casos associados à infecção por transmissão sexual (heterossexual) representa o segundo grupo, com 40% dos registos e a transmissão sexual (homossexual masculina) apresenta 12,3% dos casos.
As restantes formas de transmissão correspondem a 5,2% do total. Os casos notificados de infecção VIH/SIDA que referem como forma provável de infecção a transmissão sexual (heterossexual) apresentam uma tendência evolutiva crescente.
O último relatório da ONU SIDA revela que desde o seu surgimento morreram cerca de 25 milhões de pessoas e 60 milhões foram infectadas, ainda que últimos oito anos as novas infecções tenham diminuído 17%.
Como já se tinha referido, Portugal apresenta uma taxa de novos casos de HIV/Sida entre os consumidores de drogas injectadas oito vezes superior à média europeia, de acordo com dados revelados em Bruxelas pelo director do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.
No relatório Portugal é apontado como o pais onde surgiram mais casos (703) de infectados com Sida em 2006, muito à frente dos restantes estados, onde a Estónia ocupa o segundo lugar (191), seguida do Reino Unido (187), Alemanha (168) e Franca (167). Ainda no campo das doenças infecto-contagiosas contraídas por toxicodependentes, Goetz disse que mais de 40 por cento dos consumidores de droga injectável estão infectados pelo vírus da hepatite C, uma doença com uma elevada taxa de mortalidade e de tratamento difícil e muito demorado.
O director do OEDT salientou ainda que morre a cada hora na UE uma pessoa vítima do consumo excessivo de droga (overdose), o que totaliza entre 7.000 e 8.000 mortos anuais.
As estimativas do OEDT indicam ainda que um em cada quatro cidadãos da União, num total de 71 milhões, fumaram canábis - a droga mais consumida no espaço europeu - pelo menos uma vez na vida.
Contudo, o que mais preocupa os especialistas é o facto de quatro milhões de pessoas consumirem diariamente aquele tipo de droga.
O fulcro do problema da droga na Europa continua a ser a heroína, embora o seu consumo tenha estabilizado, afirmou Wolgang Goetz, salientando, em contrapartida o aumento da disponibilização de tratamento para os dependentes daquele opiáceo. Nos países da UE, disse, 600 mil pessoas sujeitam-se todos os anos a tratamento para se livrarem da dependência da heroína.
Saiba mais consultando o relatório da ONU SIDA.

28 de novembro de 2009

Substâncias causadoras de dependência e seus efeitos

O álcool é uma substância depressora do Sistema Nervoso central (SNC), ainda que tenha efeitos desinibidores. Tem origem em bebidas fermentadas ou destiladas logo o modo de administração é oral. Causa dependência tanto física como psicológica. Os efeitos da utilização habitual, ainda que dependentes do consumidor, do ambiente, da qualidade e da quantidade do álcool ingerido, incluem euforia, desinibição, descoordenação, redução da força e aumento do tempo de reacção. O consumo a longo prazo afecta as relações pessoais e familiares, provoca cirrose, danos cerebrais, depressão e psicose. Em última análise, o excesso de álcool pode provocar coma alcoólico e a morte.
A Canábis (Cannabis sativa) é uma planta da qual se extrai o haxixe (resina das flores e folhas), erva ou marijuana (flores e folhas) e o óleo de haxixe. O tetrahidrocanabinol (THC) é o componente químico responsável pela maior parte dos efeitos destas substâncias. A canábis pode ser fumada ou ingerida, causando dependência psicológica. A utilização habitual leva a relaxamenteo, sonolência, secura da boca, aumento da frequência cardíaca e da tensão arterial, euforia, diminuição das inibições, aumento do tempo de resposta e de apetite. A longo prazo, a canábis provoca debilitação física, falta de motivação, psicose, doenças pulmonares e cardíacas, bem como problemas de memória e aprendizagem. Uma dose excessiva de provocar alucinações e ataques de pânico.

A cocaína é uma substância estimulante do SNC extraída das folhas do arbusto da coca (Erythroxylum coca). Esta substância tem geralmente o aspecto de pó branco, podendo ser injectada, inalada ou fumada  mas sempre causando enorme dependência psicológica. A sua utilização habitual provoca dilatação das pupilas, excitação, autoconfiança, irritabilidade, diminuição do apetite e aumento da pressão arterial e ritmo cardíaco. A longo prazo, leva a ulceração do septo nasal (quando inalada), psicose, ansiedade aguda, irritabilidade, depressão, paranóia, alucinações tácteis e insónia. Em caso de sobredosagem (overdose) causa agitação, agressividade, psicose cocaínica, síncope cardíaca, hemorragias cerebrais e tromboses.

O ecstasy, MD ou pastilhas, é uma substância sintética com efeitos estimulantes e psicadélicos, geralmente encontrada sob a forma de cápsulas ou comprimidos coloridos. O seu componente activo é a 3,4-metilenodioximetamfetamina (MDMA). A administração oral destes comprimidos causa dependência psicológica e a sua utilização habitual produz facilidade de comunicação, aumento de energia, elevação do humor, tensão muscular, perda de apetite, náuseas, aceleração do ritmo cardíaco e da tensão arterial, ansiedade, hipertermia e contracção dos músculos da mandíbula. A longo prazo, o seu consumo provoca depressão, cansaço e exaustão, perturbações do sono, paranóia, psicose, arritmia cardíaca, insuficiência renal aguda, hipertensão, lesões hepáticas e redução da imunidade. A overdose com ecstasy provoca desidratação, golpe de calor, agressividade, intoxicação, tudo agravado quando em conjunto com outras substâncias, como o álcool.

A heroína é uma substância depressora do SNC e um analgésico opiáceo muito poderoso. Tem origem na morfina, sustância produzida naturalmente na cápsula da flor da papoila dormideira Papaver somniferum. Apresentada geralmente sob a forma de pós branco ou castanho, a heróina pode ser inalada, fumada ou injectada, causando sempre enorme dependência, tanto física como psicológica. A sua utilização habitual alivia dores e ansiedade, causa bem-estar e euforia, para além de uma depressão do sistema respiratório. A longo prazo provoca letargia, obstipação, disfunções sexuais, amenorreia e um leque de doenças físicas por vezes muito graves (como a SIDA ou as hepatites) que levam frequentemente à morte. A overdose com heroína acentua a depressão do sistema respiratório, provocando edema pulmonar, baixa de temperatura, lesões renais e morte.